Como nos adaptar ao presente e futuro ágeis e ambíguos

Atualizado: 23 de mar.




Minha caminhada na engenharia de alimentos é de longa data, formada em 1997, tive a oportunidade de navegar diversos cenários desta profissão que, apesar de desconhecida para muitos e incompreendida por outros, é de extrema importância para uma contínua alimentação responsável da sociedade.

Passei pela academia no Brasil e Estados Unidos, acabei enveredando para a indústria onde atuei em empresas de marca própria, co-manufaturadores, pequenas, médias assim como a maior do mundo em sua categoria. Trabalhei em diversas áreas dentro dessas empresas, e hoje, como consultora em desenvolvimento de produtos e inovação, observo que muitos dos desafios do início da carreira estão ainda mais relevantes, na era do VUCA (Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity), vejo uma grande necessidade de nos reinventar como profissionais, e é pra ontem!

As interações humanas relacionadas aos processos e culturas de trabalho, e como estes interferem na qualidade dos resultados entregues sempre me fascinaram. Como engenheiros de alimentos, independente da área que atuamos, estamos muito conectados com as diversas funções da empresa, nosso trabalho impacta grandemente os resultados de bottom line e precisamos estar muito conscientes disto.

Nossa formação como engenheiros nos traz uma visão muito abrangente, porém bastante pragmática das coisas. Em um momento em que a indústria de alimentos passa por grandes transformações, com uma importante pulverização, ou seja, o surgimento de startups, de mentalidade inovadora e senso de urgência como principais fatores de sobrevivência, pressionando inclusive as gigantes da indústria a se adaptarem, nos trazem infinitas oportunidades de trabalho, mas também desafios e a necessidade de nos adaptarmos, sob risco de perdermos a credibilidade como um dos principais atores neste mercado.

Tive um cliente no ano passado em que esta situação ficou clara, era uma empresa de médio porte, com distribuição nacional e internacional de produtos bem estabelecidos no mercado, em amplo crescimento. Sua maior queixa era encontrar engenheiros de alimentos que conseguissem acompanhar as demandas de novos produtos e processos e se adaptar ao mercado em constante evolução. “Os engenheiros de alimentos que passam por aqui apenas dizem não pra tudo, e não conseguem explicar bem o porquê, ou oferecer opções que possibilitem atender os clientes e demandas do mercado”, dizia ele.

Pude observar o mesmo em uma live que participei algumas semanas atrás, o dono de uma startup de produtos veganos contava sua trajetória e desafios. Em um momento da conversa perguntaram se havia engenheiros de alimentos em sua empresa. Ele, com reservas, disse que sim, porém não conseguia ver o engenheiro de alimentos como um parceiro nas entregas da empresa por serem muito “cartesianos”, não conseguiam inovar, e estava recorrendo a outros profissionais.

Precisamos estar prontos para dar respaldo técnico e responsável à indústria, tenho total consciência das ideias “mirabolantes” que nos apresentam todos os dias, e sim, nosso trabalho é de extrema responsabilidade, pela segurança alimentar, pelas restrições regulatórias que não são em vão, pela segurança daqueles que trabalham no processamento, por quanto tudo isto pode afetar o nome da empresa e o nosso nome. Porém, é cada vez mais claro pra mim que precisamos abrir nossos horizontes e equilibrar estes aspectos com um grande senso de negócios, de como nossas ações afetam o crescimento e a condição de existência das empresas, de como podemos ter realmente um papel transformador se sairmos do escopo de executores.

Atuar como engenheiro de alimentos numa empresa nos faz viver em eterno modo de equilíbrio de riscos. Nos reinventar é fundamental para a manutenção desta profissão fantástica. Precisamos conquistar um lugar cativo nas reuniões em que as estratégias de curto e longo prazo são discutidas, sermos vistos como parceiros que ao mesmo tempo alertam sobre os perigos, apresentam alternativas e soluções para que se chegue ao mesmo objetivo. Temos sim que saber tudo sobre o produto e o processo, mas entender sobre o negócio como um todo é essencial para conquistarmos o peso que a formação de Engenharia de Alimentos realmente nos dá.


E você, como tem agido na empresa que trabalha?

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