Como Desenvolver um Produto Alimentício do Conceito à Comercialização em 10 passos

Atualizado: 23 de mar.




Desde que iniciamos as atividades da nossa consultoria em desenvolvimento de produtos, praticamente todos os dias somos procurados por empreendedores de startups e pequenos empresários que querem colocar seus produtos no mercado. Normalmente, a conversa começa com eles nos mostrando seus protótipos, desenvolvidos, muitas vezes, nas cozinhas de suas próprias casas, a partir daí estão certos de que estão prontos pra irem para as prateleiras dos supermercados.

A fiscalização ineficiente por parte dos órgãos públicos e o desconhecimento geral da ciência e engenharia de alimentos pelo cidadão comum, fazem com que, na maioria das vezes, estas sejam vistas como intuitivas para pessoas com habilidades na cozinha, e com que muitos produtos alimentícios sejam colocados no mercado sem a apropriada atenção de um profissional da área. Já o consumidor que vê uma embalagem com gráficos tão bem feitos (designers gráficos realmente mandam bem), não tem ideia de que, naquele produto, pode conter uma toxina fatal pelo processamento inadequado, quantidades exacerbadas de aditivos químicos ou até mesmo matérias estranhas provenientes de ingredientes de má qualidade.

Mas não é apenas a segurança dos alimentos, há sempre possibilidades de otimização do produto (ou sistema produto/embalagem), para que ele chegue ao mercado com a melhor proposta sensorial e menor custo possível, entregando o que o consumidor realmente quer. É neste momento que nós, profissionais da área, temos a obrigação de informar o empreendedor sobre todas as etapas envolvidas no processo de desenvolvimento de um produto alimentício, para que este possa ser lançado com maiores chances de sucesso. E o primeiro passo não é ir para a cozinha fazer protótipos, tudo começa com pesquisa!

Antes de ir à lista, uma reflexão importante, sabemos que o fato de um produto ainda não estar no mercado, não significa que ninguém nunca pensou nele. Tenha em mente que empresas grandes como Unilever, Mondelez, Danone investem muito dinheiro em pesquisa de mercado e têm os melhores profissionais de marketing para pensarem em novos produtos, sabores e conceitos. Eles já tiveram muitas ideias que não chegaram ao mercado, porque manufatura custa dinheiro e existem muitos fatores envolvidos no processo que podem deixar seu produto muito caro, certos produtos simplesmente não fecham a conta em termos de custo, lucratividade e mercado.

Agora sim, vamos à lista!

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Passo #1 – Estude a viabilidade do seu produto!

Pesquise a categoria de produtos que pretende entrar, veja o que já tem no mercado, vá a feiras de alimentos, os novos lançamentos estão sempre lá! Leia revistas da área... Converse com fornecedores dos ingredientes (porém tenha sempre em mente que ele irá puxar o peixe pro lado dele, então converse com vários). Pesquise os preços praticados nesta categoria. Pense em qual posicionamento de mercado você gostaria que seu produto tivesse, será para classe A/B, ou B/C, ou o consumidor que valoriza saudabilidade, qual o poder de compra deste consumidor? Ele vai ter desembolso pra pagar 10 reais naquele sachê de suplemento pré-treino que você jura ser a mais nova invenção do mercado? Quem irá manufaturar? Quais os volumes de venda que você pretende ter? Há matéria-prima disponível no mercado? Volumes de compra de matéria-prima muito pequeno muitas vezes inviabiliza o produto, por não se chegar no volume mínimo de venda do fornecedor ou por ficar muito cara no volume que você quer iniciar. Em que canais de venda irá entrar? Como será a distribuição? Toda esta informação é importante para que se entre na fase de desenvolvimento do produto com maior confiança e menor retrabalho. O ESTUDO DE VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA de um produto é talvez a fase mais importante de um projeto de desenvolvimento de produto e a que irá determinar a verdadeira chance de sucesso deste produto no mercado.

Passo #2 – Qual é o seu capital para investimento?

De onde virá o dinheiro? Colocar um produto no mercado exige um bom capital inicial. E não estou falando aqui apenas de investimento em consultores de engenharia de alimentos para desenvolver um produto pra você (um consultor experiente custa em média R$150-R$200/hora), mas também nos custos de produção, compra de matérias primas, pagamentos ao co-packer (quem irá produzir pra você), distribuição, análises microbiológicas, estocagem, taxas de abertura de mercado (aquela que alguns mercados cobram pra por seu produto nas prateleiras), manutenção de e-commerce, marketing etc.

Passo #3 – Escreva um contrato de confidencialidade.

As pessoas acabam falando mais que deveriam e a indústria de alimentos é realmente um “mundo pequeno”. Peça ajuda a um advogado para escrever um contrato de confidencialidade que você possa pedir para as pessoas com quem você fale sobre a sua ideia (consultores, fornecedores, co-packers, distribuidores, investidores) para assinar.

Passo #4 – Você quer alguma certificação especial para seu produto?

Normalmente as startups querem diferenciar seu produto de alguma forma. Orgânico? Selo Arte (produtos artesanais)? SIF? Fair Trade? Enfim, existem inúmeros selos que você pode colocar no rótulo do seu produto que podem te ajudar a posicionar seu produto no mercado, porém estes selos também vêm com um custo e várias exigências especiais que irão determinar onde você pode produzir e quem irá produzir ou fornecer ingredientes pra você, custos de matérias primas, auditorias etc. Então é importante que isto também seja definido antes de se iniciar o desenvolvimento para se evitar retrabalho, o que significaria tempo e dinheiro perdidos.

Passo#5 – Encontre um co-manufaturador (co-packer, co-man)

Se você ainda não tem uma fábrica para processar seu produto, ou não tem intenção de montar uma já de início, precisará encontrar uma empresa te terceirize a produção. Elas são chamadas de co-packer, ou co-manufaturador, co-man, empresas que terceirizam sua produção pra marca própria. Este já é um mercado bem desenvolvido nos Estados Unidos e vem ganhando muita força no Brasil. Hoje já temos muitas empresas espalhadas pelo Brasil que terceirizam produção pra marca própria. Faça uma busca na internet, ligue para eles e marquem uma reunião (não se esqueçam do termo de confidencialidade!).

Passo#6 – Entenda as regulamentações envolvidas com o seu produto!

É de suma importância saber qual órgão regulatório estará envolvido com o seu produto, se precisará de registro e quais os requerimentos de tempo e financeiros estão envolvidos. No Brasil, o controle sanitário de alimentos é uma responsabilidade compartilhada entre órgãos e entidades da administração pública (INMETRO, Ministério de Minas e Energia, PROCON, DECON) com destaque para a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA e para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. Ao MAPA cabe a inspeção dos alimentos exclusivamente de origem animal (carnes, leite, ovos, mel, pescados e seus derivados), bebidas em geral (não alcoólicas, alcoólicas e fermentadas) e vegetais in natura, todo o resto estaria com a Anvisa. Além de que, nenhum estabelecimento pode realizar comércio interestadual ou internacional com produtos de origem animal, sem estar registrado no D.I.P.O.A. Porém é importante lembrar que cabe à Vigilância Sanitária a fiscalização de todos os produtos no mercado. Se você pensa em exportar para os Estados Unidos, por exemplo, o órgão governamental Food and Drug Administration (FDA) apresenta algumas exigências básicas. Dentre elas, o produto deve apresentar rótulos com informações detalhadas, em inglês, como tabela nutricional, lista de ingredientes, presença de alergênicos, de acordo com as regras de lá. Por conseguinte, é importante entrar em contato com o FDA e com as agências regulatórias locais, além de cumprir também, as exigências da ANVISA. E não se esqueça que há regras também para rotulagem, não podemos escrever o que quisermos no rótulo, inclusive existem muitas coisas que NÃO devem conter no rótulo, um erro de rotulagem pode te custar uma autuação com multas bem salgadas.

Passo#7 – Audite o seu co-manufaturador!

Uma vez que você encontre um co-packer, você precisa ter certeza de que este tenha sistemas de qualidade que garantam que seu produto sairá de lá com condições sanitárias satisfatórias e para que você não venha a ter um problema no futuro. Não apenas acredite na palavra dele ou de alguma empresa terceira que ele tenha contratado para fazer auditoria. Contrate sua própria auditoria. Existem muitas empresas especializadas que fazem este trabalho. Embora o co-packer seja responsável por qualquer problema sanitário, é o nome da sua marca que está em jogo.

Passo#8 – Encontre Laboratórios de Testes

Procure laboratórios certificados que possam fazer os testes necessários no seu produto (não esqueça de fazê-los assinar o contrato de confidencialidade) e estabeleça um relacionamento com eles, consulte sobre os tipos de testes que você precisará para assegurar a qualidade e segurança do seu produto. Testar a vida de prateleira do seu produto é crucial para que não ocorra uma surpresa desagradável depois que o produto já está na mesa do consumidor.

Passo#9 – Crie um protótipo!

Finalmente chegou a hora de por a mão na massa! Com toda a informação coletada nos passos acima você já pode ir pra sua cozinha e começar a criar seus primeiros protótipos alinhados com a legislação, custos de matérias primas e tecnologias de processamento disponíveis no seu co-packer. Divirta-se! Esta é a melhor parte!

Passo#10 - Contrate um consultor de engenharia, ciência ou tecnologia de alimentos!

Se você não tem experiência em desenvolvimento e manufatura de alimentos, a melhor saída realmente é contratar um profissional especializado para te auxiliar nesta jornada. Nós somos muitos, cada um com sua especialidade, experiência e perfil de trabalho. Em geral, é importante encontrar alguém que já tenha experiência em desenvolvimento de produtos e, de preferência, no tipo de produto (e tecnologia) que você quer comercializar, o desenvolvimento de alguns alimentos são uma mistura de arte e ciência e ter experiência fará diferença no tempo gasto no projeto. Converse com vários profissionais, estude suas taxas de consultoria, mas o mais importante, esteja certo de que você conseguiu se conectar com seu consultor, criar um produto pra sua marca irá exigir muita troca, e você quer ter certeza que está contratando uma pessoa que você possa confiar e se comunicar abertamente.

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